Elyx Vertiportos

Programa Piloto de Integração de eVTOL nos EUA é uma estratégia que o Brasil pode seguir, analisa Pedro Longuini, diretor da Elyx Vertiportos

O governo dos Estados Unidos da América lançou, em março de 2026, o Programa Piloto de Integração de eVTOL (Advanced Air Mobility and Electric Vertical Takeoff and Landing Integration Pilot Program – eIPP). A iniciativa, que envolve oito projetos em 26 estados americanos, representa um marco regulatório inédito na aviação: permite que as novas aeronaves de decolagem e pouso vertical operem comercialmente e gerem receita antes da certificação completa pela FAA (Federal Aviation Administration, a agência reguladora de aviação civil dos Estados Unidos).

 

Por meio de uma estrutura de “Other Transaction Authority” (OTA), o programa autoriza operações experimentais de carga, transporte médico e, em breve, passageiros, enquanto coleta dados reais de segurança e desempenho. O objetivo declarado é claro: ajudar o setor a superar o alto custo e a longa duração do processo tradicional de homologação, testando na prática infraestrutura como vertiports, sistemas de carregamento e integração com o controle de tráfego aéreo. As operações devem começar ainda no verão de 2026 e têm duração prevista de aproximadamente três anos.

 

Como diretor da Elyx Vertiportos, avalio que a abordagem americana é um exemplo de pragmatismo que merece atenção especial do Brasil.

 

Este programa inverte a lógica tradicional da regulação aeronáutica. Em vez de esperar por regras perfeitas no papel, o governo norte-americano está criando um ambiente controlado de testes reais que gera receita desde o primeiro dia. Isso é fundamental. Muitas empresas inovadoras simplesmente não sobrevivem aos anos de certificação sem faturamento. O eIPP permite que o mercado e a regulação evoluam juntos, com dados concretos de operação, segurança e infraestrutura.

 

Conteúdo do artigo

 

 

Destaco ainda o ganho prático para o ecossistema: ao envolver governos estaduais, locais e o setor privado em oito iniciativas simultâneas, os EUA estão construindo um banco de conhecimento real sobre vertiports, integração com o espaço aéreo existente e casos de uso iniciais – especialmente carga e emergência médica, que apresentam menor complexidade regulatória. É uma aceleração inteligente que posiciona o país como líder global em mobilidade aérea avançada.

 

O Brasil pode e deve criar uma iniciativa semelhante. Enfrentamos os mesmos desafios. O processo de homologação é naturalmente demorado por força de todas as exigências técnicas e legais que devem ser obedecidas. Um programa piloto nos moldes do eIPP americano poderia ser adotado aqui com enorme vantagem – desde que, naturalmente, a segurança não seja comprometida. Gerar receita precoce, testar infraestrutura de vertiportos em escala real e produzir dados que alimentem a ANAC e o DECEA seria o caminho mais rápido para transformar o país em referência na América Latina em mobilidade aérea sustentável.

 

Para mim, o momento é estratégico. Com a infraestrutura de vertiportos já em planejamento no Brasil e o interesse crescente de investidores no setor, uma iniciativa regulatória inspirada no modelo americano poderia reduzir riscos, atrair capital e acelerar a chegada de serviços que prometem revolucionar o transporte urbano e regional.

 

Não se trata de copiar cegamente, mas de adaptar uma solução comprovadamente eficaz às nossas realidades. O que os EUA estão fazendo agora é exatamente o que precisamos para não ficar para trás.

 

A Elyx Vertiportos acompanha de perto o desenvolvimento do eIPP e segue trabalhando para que o Brasil possa, em breve, contar com um ambiente regulatório igualmente inovador e competitivo.