O serviço de Airport Shuttle com aeronaves eVTOL (Aeronaves Elétricas de Decolagem e Pouso Vertical) é um dos casos de uso mais promissores da Mobilidade Aérea Urbana (UAM). Segundo a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), trata-se de uma das aplicações com maior probabilidade de implementação na Europa entre 2025 e 2030. No Brasil, esse tipo de serviço deve ter início a partir de 2026.
Para a elyx vertiport, empresa do grupo IGE2A(holding de infraestrutura, mobilidade e energia), a Mobilidade Aérea Urbana não será viabilizada apenas pela tecnologia das aeronaves.
Ela depende, principalmente, da decisão correta sobre onde e como implantar a infraestrutura.
Construir no lugar errado pode inviabilizar o modelo. Dimensionar mal a frota pode comprometer o retorno. Ignorar o fator tempo pode reduzir drasticamente a adesão.
A infraestrutura certa, no lugar certo, com o dimensionamento correto: essa é a base para transformar o Shuttle Aeroportuário em uma solução real, eficiente e financeiramente sustentável.
O conceito é direto: conectar centros urbanos a aeroportos por meio de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, reduzindo drasticamente o tempo de deslocamento terrestre.
Mas transformar esse conceito em operação viável exige responder uma pergunta fundamental:
Onde localizar os vertiportos para que o modelo seja eficiente, lucrativo e escalável?
A Elyx desenvolve um processo estruturado para responder essa questão com base em dados e simulações econômicas.
O Shuttle Aeroportuário como modelo premium
O serviço é posicionado como uma solução premium, voltada a passageiros sensíveis ao tempo.
No lançamento, a tarifa deve se posicionar entre o transporte executivo por carro e o helicóptero, com rápida tendência de redução à medida que a operação ganha escala. Em rotas mais longas, o diferencial decisivo é a economia de tempo.
O modelo assume que:
- Áreas com maior renda média apresentam maior propensão ao uso
- Distritos financeiros e zonas corporativas tendem a concentrar demanda
- O diferencial competitivo é a redução do tempo porta-a-porta
A viabilidade do serviço depende, portanto, menos da distância absoluta e mais do ganho real de tempo percebido pelo passageiro.
Localização: um quebra-cabeça estratégico
A definição da infraestrutura não pode ser baseada em suposições. É um exercício de otimização entre demanda, tempo e retorno financeiro.
O modelo desenvolvido pela Elyx opera em quatro etapas principais:
1️⃣ Identificação real da demanda
Em vez de estimativas genéricas, utilizamos dados reais de telefonia móvel para mapear a origem dos passageiros que se deslocam ao aeroporto.
Esses dados são cruzados com:
- Informações socioeconômicas
- Renda média por região
- Padrões de mobilidade
Isso permite identificar onde estão os passageiros com maior probabilidade de aderir ao serviço premium.
2️⃣ Definição técnica de locais candidatos
O modelo não escolhe pontos aleatórios.
Na cidade:
- São considerados os centros geográficos de cada código postal como potenciais candidatos
No aeroporto:
- Avaliam-se áreas adaptáveis, como estacionamentos e superfícies pavimentadas próximas aos terminais
Essa pré-seleção reduz incertezas e mantém o estudo dentro de parâmetros técnicos e regulatórios viáveis.
3️⃣ A matemática do tempo: o fator decisivo
O principal critério é o tempo total porta-a-porta.
O modelo calcula:
- Tempo terrestre da residência até o vertiporto urbano
- Tempo de voo + embarque e desembarque
- Tempo do vertiporto aeroportuário até o portão de embarque
Se o ganho de tempo não for significativo em relação ao deslocamento terrestre direto, a probabilidade de adoção cai drasticamente.
A lógica é simples:
Se o vertiporto estiver longe demais do passageiro, ele não usará o serviço.
4️⃣ Simulação de lucro e risco
A etapa final transforma o estudo em uma ferramenta de decisão para investidores.
O modelo simula diferentes cenários para responder:
- Quantos vertiportos devem ser construídos?
- Onde devem ser implantados?
- Quantas aeronaves eVTOL devem compor a frota?
- Qual o impacto financeiro em cenários de adesão de 1%, 3% ou 5% dos passageiros do aeroporto?
O objetivo é encontrar o ponto ótimo que:
- Maximiza receita
- Minimiza risco
- Evita capacidade ociosa
- E garante retorno sustentável sobre o investimento
Um simulador de investimento para infraestrutura UAM
Mais do que um estudo de mobilidade, o processo desenvolvido pela Elyx funciona como um simulador estratégico de investimento.
Ele foi desenhado para lidar com:
- Incerteza de demanda
- Alto CAPEX inicial
- Sensibilidade ao tempo do usuário
- Riscos regulatórios e operacionais
Antes de alocar capital, investidores e planejadores urbanos conseguem visualizar cenários completos de viabilidade.
A Mobilidade Aérea Urbana não será definida apenas pela inovação das aeronaves, mas pela inteligência na escolha da infraestrutura que sustentará todo o modelo.


